Neocolagênese é o processo pelo qual a pele fabrica colágeno novo. Ele acontece quando os fibroblastos, células da derme, recebem um estímulo e passam a produzir fibras que substituem as antigas. É o mecanismo por trás de quase todo tratamento de firmeza, do bioestimulador de colágeno injetável ao laser, e o resultado aparece de forma gradual, ao longo de semanas e meses.

O que é neocolagênese

A palavra junta “neo” (novo), “colágeno” e “gênese” (formação). Na prática, descreve a capacidade que a pele tem de se reconstruir por dentro. O colágeno é a principal proteína de sustentação da derme: ele forma uma rede de fibras que dá firmeza e resistência ao tecido.

Essa rede não é fixa. Ao longo da vida, fibras antigas são degradadas e fibras novas são produzidas. Enquanto a produção acompanha a perda, a pele se mantém firme. Quando a produção cai, a rede fica mais fina e desorganizada, e surgem flacidez, linhas e perda de contorno.

Por que a produção de colágeno diminui

A partir da idade adulta, a pele passa a produzir menos colágeno a cada ano, e o que é produzido tem qualidade inferior. Alguns fatores aceleram esse processo:

  • Exposição solar sem proteção: a radiação ultravioleta ativa enzimas que quebram as fibras de colágeno. É o principal fator externo de envelhecimento da pele.
  • Menopausa: a queda do estrogênio reduz a produção de colágeno de forma mais rápida nos primeiros anos.
  • Tabagismo: diminui a oxigenação do tecido e prejudica a formação de fibras novas.
  • Emagrecimento rápido e alimentação pobre em proteína: faltam os componentes de que o fibroblasto precisa para trabalhar.

Como a neocolagênese é estimulada

O fibroblasto responde a dois tipos de estímulo: uma substância que provoca uma reação controlada no tecido ou uma energia que aquece a derme. Em ambos os casos a pele entende que precisa se reparar e passa a produzir colágeno. Os principais caminhos usados em consultório são estes:

Bioestimuladores injetáveis

Substâncias como o ácido poli-L-láctico e a hidroxiapatita de cálcio são aplicadas na derme profunda e, nos meses seguintes, o organismo forma colágeno ao redor das partículas. Vale ler em detalhe como os bioestimuladores agem na pele.

Ultrassom microfocado

Concentra energia em pontos precisos abaixo da superfície, sem ferir a pele por fora. O calor contrai as fibras existentes e dispara a produção de fibras novas. É o princípio do lifting com Ultraformer MPT.

Radiofrequência

Aquece a derme de forma mais ampla, em uma faixa de temperatura que provoca contração imediata do colágeno e remodelação nas semanas seguintes. Na clínica, essa é a proposta da radiofrequência XERF. Veja o que esperar no antes e depois do XERF.

Lasers e microagulhamento

Criam microlesões controladas, e a cicatrização dessas microlesões gera colágeno novo. Por isso são muito usados para textura, poros e cicatrizes, como no rejuvenescimento com laser CO2 Hybrid.

Quanto tempo a neocolagênese leva

Esse é o ponto que mais gera frustração quando não é explicado antes. A neocolagênese não é imediata. Depois do estímulo, a pele passa por fases:

  1. Primeiras semanas: fase de reparo, em que os fibroblastos são ativados. Ainda há pouca mudança visível.
  2. De 1 a 3 meses: as fibras novas começam a se formar e a firmeza passa a ser percebida.
  3. De 3 a 6 meses: o colágeno amadurece e se organiza. É quando o resultado costuma estar mais evidente.

Os prazos variam conforme o tratamento, a idade e a qualidade da pele. Uma pele mais jovem responde mais rápido. Uma pele com muito dano solar responde, mas precisa de mais estímulo.

Neocolagênese, contração do colágeno e preenchimento: qual a diferença

São três efeitos diferentes, e confundi-los leva a expectativas erradas:

  • Contração do colágeno: efeito imediato do calor sobre as fibras que já existem. Dá uma sensação de pele mais firme logo após a sessão, mas é só o começo.
  • Neocolagênese: formação de fibras novas. É progressiva e responde pela maior parte do resultado duradouro.
  • Preenchimento: o ácido hialurônico repõe volume no ponto em que é aplicado. Não é colágeno e não depende do tempo de resposta da pele.

Por isso muitos planos combinam recursos: um repõe volume, outro firma. Quem tem flacidez instalada costuma se beneficiar de mais de um estímulo, como explico na página de tratamentos para flacidez do rosto.

O que ajuda e o que atrapalha o resultado

O estímulo feito em consultório é metade do processo. A outra metade é dar à pele condição de responder:

  • Protetor solar todos os dias, porque o sol destrói colágeno enquanto o tratamento tenta formá-lo.
  • Ingestão adequada de proteína e de vitamina C, que participam da formação das fibras.
  • Não fumar.
  • Respeitar o intervalo entre as sessões. Estimular de novo antes da hora não acelera o resultado.

Perguntas frequentes sobre neocolagênese

Neocolagênese e bioestimulador de colágeno são a mesma coisa?

Não. Neocolagênese é o processo biológico de formar colágeno novo. Bioestimulador é um dos recursos que provocam esse processo, ao lado do ultrassom microfocado, da radiofrequência e dos lasers.

Tomar colágeno em pó provoca neocolagênese?

O colágeno ingerido é digerido como qualquer proteína e fornece aminoácidos ao organismo. Há estudos que sugerem benefício discreto para a pele, mas o efeito não se compara ao de um estímulo aplicado diretamente na derme.

A partir de que idade vale estimular colágeno?

Não existe uma idade fixa. A indicação depende da qualidade da pele, do histórico de sol e da queixa de cada pessoa. A avaliação dermatológica define se já há perda que justifique o tratamento ou se o cuidado diário é suficiente.

O colágeno novo dura para sempre?

Não. O colágeno formado é da própria pessoa e continua sujeito ao envelhecimento natural. Por isso os tratamentos têm manutenção, em intervalos definidos conforme o recurso usado e a resposta de cada pele.

Quem não pode fazer tratamentos que estimulam colágeno?

Em geral, gestantes, lactantes, pessoas com infecção ou inflamação ativa na área e alguns casos de doenças autoimunes precisam de avaliação específica. As contraindicações mudam conforme o procedimento e são verificadas na consulta.

Dermatologista formada pela Universidade Federal de Goiás e com especialização em Dermatologia pela UNIFESP.

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